Textos

 
 
Fragmentos do Livro “O Corsário do Rei”
Antonio de Albuquerque
Esmeralda Sereia

Após navegar pelo Mar do Caribe no seu veleiro Caranguejo junto a um grupo de amigos, Vitor estava regressando ao Brasil. Havia vivenciado algumas experiências com piratas, sequestradores, batalhas com piratas, quadrilhas internacionais, ilhas encantadas, até chegar à Cartagena lugar de onde regressou com seus companheiros ao Brasil via Belém – Rio de janeiro. Mais dois dias e estaria em águas territoriais brasileiras. Ainda velejando no mar do Caribe Vitor avistou uma ilha, e consultando os companheiros, decidiu visita-la como despedida turística bem sucedida. Nesta ilha permaneceriam algumas horas desfrutando as belezas do encantador lugar. Arriou a âncora e no dia seguinte iria ao continente conhecer as belezas da ilha. Ao amanhecer, Vitor e os companheiros, usando jet-ski dirigiram-se à ilha, deixando o comandante Gonzáles a bordo. Ao desembarcarem, Vitor percebeu que não havia sinais de habitantes solicitando aos companheiros que permanecessem juntos para o reconhecimento da ilha, que de tanta beleza, mais parecia um iparaíso. Estranho não haver vestígios de habitantes nesta ilha em pleno século XXI, disse Vitor. Sim, respondeu Laura. Mas é belíssima Concordo, não havia visto igual.  E que perfume!  Que energia saudável!  Sim, estou sentindo uma energia limpa.  Descobriremos alguma coisa! Concorda Vitor? Sim, respondeu. Todos estavam encantados com a ilha. Por que será que ninguém descobriu esse lugar? Parece que só o Criador e agora, nós! Vamos conhecer. Que privilégio, parece um sonho, sinto uma imensa alegria, e para maior surpresa, não estou com medo, disse Garcia. Você sem medo! Milagres acontecem, sorrindo respondeu Marina, sua mulher.

Depois de algumas surpresas desagradáveis no acidentado passeio pelo Caribe eles sorriam de alegria num lugar cheio de encanto e mistérios, onde tudo brilhava sem manto de névoa e ouviam-se o som encantador da natureza. Numa elevação Vitor enxergou algumas pequenas e bonitas estátuas, no formato de pessoas, e com os companheiros dirigiu-se para junto delas, mas ao caminharem em sua direção, elas se mantiveram à mesma distância, tratando-se de um fenômeno estanho que os deixou intrigados. A natural reação do grupo foi; sorrindo abraçarem-se formando um círculo. No grupo havia adeptos de diversos seguimentos religiosos, mas naquela hora lembraram-se apenas de um só Deus, e da perfeição da natureza. Eles estavam entrando no que podemos chamar de encantos da natureza, e suas memórias se esvaziaram de quaisquer outras lembranças que não fossem as belezas daquela rica dimensão.

Sobre a ilha estendeu-se um manto sereno de luz do sol e clareando com intensidade envolvendo toda a ilha e tudo que nela existia. As cores se apresentaram mais reais combinando com outras cores mais próximas, formando um arco-íris de beleza inenarrável. Quando Vitor percebeu, estava submerso, porém dentro da ilha que agora tinha um cenário bem diferente, o temor e a ansiedade cessaram e ele sentiu a tranquilidade do pouso da garça. À sua frente alguns robôs se apresentaram, entre eles, um se destacava e, pelo pensamento lhe transmitia mensagens falando de paz, harmonia e boas vindas que fez Vitor imaginar que todos do seu grupo estivesse recebendo a mesma mensagem e visualizando aquele santuário envolvido por luz, formas e cores de beleza inefável.

Sendo Laura extremamente curiosa e desconfiada, em voz baixa dirigiu-se a Vitor, comentando: Vitor, veja as pedras preciosas, são belíssimas, que lugar lindo! É possível que estejamos metidos noutra encrenca, pois isto é muito bom para ser verdadeiro. Veja todo o espaço infinito mostrando um céu atapetado de astros e estrelas e montanhas de pedras preciosas, e água cristalina se espargindo em cascatas multicores. Concordo, mas vamos esperar os acontecimentos. São inumeráveis as pedras preciosas! Nenhuma é igual à outra! Como pode existir tanta riqueza? Posso pegar pelo menos uma? Não toque em nada, isto não nos pertence. Umazinha só? Por favor, se contenha Laura, não toque em nada.  Mas são reais. Fique quieta, por favor. Ficarei quieta, sim, mas estou com uma vontade imensa de tocá-las, disse Laura. Essas mulheres! Não podem ver joias..., Disse Vitor. Nenhum dos tripulantes havia visto tanta beleza e riqueza igual.

A tripulação estava embasbacada diante da riqueza de esmeraldas, águas-marinhas, ouro, alexandritas, topázios, turquesas, safiras, diamantes, turmalinas, granadas, pérolas, quartzos, rubis, safiras, e milhares de brilhantes desconhecidos formando incomensuráveis rosários estendidos ao longo do espaço infinito. A água azul se espargia do espaço em forma de luz, e no fundo viam-se pedras preciosas de cores diversas. Belos peixes, animais e sereias lindíssimas em forma de mulher circulavam acompanhados por formosas criaturas em forma de homem, verdadeiros deuses da beleza. Vitor enxergava na superfície, seu veleiro com o comandante no convés a brincar com belas gaivotas sob um céu azul estrelado em plena manhã.  Nunca vi coisa igual, nem em sonhos, meu Deus! Quanta beleza! E às vezes nós pensamos que conhecemos o belo, aqui nem posso comparar, afirmou Vitor. Isso são os encantos do mar sem fim, disse Garcia. Vitor dirigindo-se ao robô, se comunicou sem articular palavras; Como nos mantém reféns, tirando-nos do lugar onde estávamos e nos mantendo aqui no fundo do mar?  Quem são vocês? E o que querem?  Vocês não estão no fundo do mar, logo lhes direi quem somos, creiam. Suas vidas não correm risco.

Por merecimento dado pela natureza, vocês adquiriram o direito de ver a existência de coisas que jamais imaginariam existir. Vocês não estão sendo mantidos contra a vontade, são libertos para partirem, quando bem quiserem, disse o robô. Garcia e Marina de mãos dadas contemplavam todos os centímetros do belíssimo lugar, parecendo ingênuas crianças e afirmavam;  Não posso acreditar no que estou vendo e sentindo. Estou feliz como nunca estive em toda minha vida, disse Laura. A garrafa de rum sumiu da mão de Garcia, por não haver espaço para bebida alcoólica naquele santuário. Mas o que importa é estarmos diante dessa grandeza, sentindo toda a alegria do mundo. Isso é uma pureza, aqui não existe espaço para nenhuma ilusão, tudo é divino! Disse Garcia. Massumi dirigindo-se a um robô, perguntou: Qual a dimensão desse lugar?  É infinita, do tamanho do universo, tem no Oriente o amor e no Ocidente a verdade, afirmou o Robô.

Vitor teve uma visão extraordinária daquele santuário e procurou compreender aonde se encontrava com sua tripulação, um ambiente que não era uma ilha, e sim, um lugar diferente de tudo que havia visto no mar em toda a sua vida. Como poderia estar isolado da água no fundo do mar? Cercado por luzes coloridas, arco-íris, metais desconhecidos, ouro azul e verde, pedras preciosas, algumas que jamais havia visto, diante de robôs falantes, inteligentes e de tanta beleza? Perguntas que não conseguia responder. Estava maravilhado com todo aquele esplendor.Sintam-se a vontade, vocês sairão desse lugar quando bem entenderem, nós somos máquinas inteligentes oriundas de uma civilização que aqui existiu há milhares de anos, antes de surgir à atual e que se transportou para um lugar no sistema solar, que Em decorrência do seu desenvolvimento material, espiritual, científico e moral, não pôde permanecer neste planeta. Nós, sim, aqui permanecemos, porém noutra dimensão, mantemos nosso povo informado sobre tudo que se passa no planeta. Assim, nossos dirigentes podem auxiliar a manter o equilíbrio da Terra, e nós também, como Robôs pensantes podemos evoluir qual faz o homem, mas nós estamos muitos mil anos à frente, disse o Robô Se esse povo ao qual você se reporta é tão desenvolvido por que não permaneceram nesse planeta, mostrando a ciência para seus habitantes? Perguntou Vitor. Porque estamos a milhares de anos-luz, mais adiantados que os habitantes da terra, mas não podemos passar-lhes uma ciência que os terráqueos ainda não têm memória para entender, isto é, não estão preparados espiritualmente para entendê-la. Com certeza, de posse dela se destruiriam transformando a Terra em ar, exatamente de onde se originou.

 Vocês não são prisioneiros, queremos apenas mostrar-lhes aonde vocês poderão chegar, e que não estão sós no Universo, pois nele existem outros habitantes mais desenvolvidos onde a matéria é diferente dessa que existe na Terra. Suas limitações temporárias não permitem enxergar outro tipo de vida que não tenha surgido do mesmo processo desse planeta. Vejam o comandante Gonzáles acenando! Disse o robô. Vitor enxergou o comandante fazendo sinais e percebeu que o ele não estava brincando; tudo era a realidade daquela dimensão em que estavam.  O comandante González não está tendo o merecimento de ver tudo isso, comentou Laura.  Está, sim, disse o robô, ele está vendo como se aqui estivesse presente, mas podemos transportá-lo para cá, Vejam: Com a maior naturalidade Gonzalez se apresentou, dizendo: Pronto, Laura, eu estou aqui. Estava, então, presente toda a tripulação do Caranguejo, sorrindo e abraçados. Estamos felizes. Imensamente felizes, diziam. Voltem para bordo do Caranguejo, ao subirem no jet-ski, já estarão navegando sobre o mar, ao chegarem ao barco, pensem onde querem chegar e lá estarão. Ao chegarem à embarcação não se contiveram, sorriam de alegria e se abraçavam. Estavam encantados com tantas maravilhas e nem se lembravam dos momentos tristes da viagem. Vamos para casa, disse Vitor. Laura havia trazido no bolso do casaco a esmeralda mais linda que viu, colocou-a sobre sua mão, beijou-a dizendo: És a joia mais linda que vi em toda minha vida. Naquele instante a esmeralda transformou-se numa bela sereia; a imagem mais bela que Laura havia visto . Novamente, beijou-a e, carinhosamente, exclamou!

 
Em ti, esmeralda sereia,
Fermenta e fecunda o amor,
Fruto da tua esplendorosa pureza
No silencioso poder da criação
És bela qual a claridade do Sol
A brancura da lua clareando o mar
Teu lugar está nos encantos da natureza
No santuário de uma dimensão encantadora
Pura e sublime ofertada pelo Criador
Tu, esmeralda sereia encantada mulher
É mistério e segredo do mar sem fim
No reino encantado das águas

Terra a vista, disse o comandante González, é a linda cidade de Belém do Pará, portal da Amazônia. Logo estaremos na cidade maravilhoso dos meus encantos e sonhos o Rio de Janeiro, disse Laura.


 
Antonio de Albuquerque
Enviado por Antonio de Albuquerque em 04/04/2018
Alterado em 07/04/2018
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