Textos

 
Antonio de Albuquerque
fragmentos do Livro - O Mundo de Pedro -
 


Após dez anos de pesquisa ouvindo; historiadores, moradores das florestas, n açõesindígenas, museus, arquivos universidades e diversos órgãos. Em março de 1990, Pedro iniciou uma expedição com o intuito de descobrir o misterioso Império de Naidon, para tanto Formou uma tripulação de seis pessoas e numa embarcação especial navegou subindo o caudaloso Rio Negro. Queria chegar à Naidon o misterioso Império, de segredos e mistérios nos confins da Amazônia brasileira.
 
Pedro – Comandante e pesquisador
Capitão Bruno - Engenheiro mecânico e navegador

Convidados especiais:
Matemático e Filósofo - José Fortuna,
Ufólogo e escritor -
Reginaldo de Athayde,
Bióloga e antropóloga -
Magnólia Almeida,
Místico e especialista em florestas - Palmari Kaapura


Eram esses os expedicionários que chegariam ao grande Império de Naidon. Em maio de 1990 a tripulação zarpou do Porto de Manaus com destino a Naidon, um lugar nos confins da Amazônia que para alguns perecia apenas lendário, sendo mais uma das grandes aventuras de Pedro. Mas ele tinha razões especiais para acreditar na existência do grande império para tanto havia pesquisado na região por muitos anos, através de homens conhecedores da Amazônia, ao longo de diversas gerações. À medida que o barco se distanciava do porto mais crescia a expectativa de chegar ao destino. A bordo seis pessoas e um sonho. Os desafios seriam imensos, mas todos confiavam no sucesso da expedição, reinando a bordo paz e harmonia sob a liderança de Pedro que navegou por cinco longos dias. Depois ao distanciar-se das cidades ribeirinhas, pernoitava nas praias de areia alva às margens do Rio Negro. À noite os passageiros acendiam fogueiras nas praias e, sentados espiavam o Universo, admirando o Cruzeiro do Sul. Também, para ver o tempo passar contavam histórias, lendas e falavam outras línguas, José Fortuna dedilhava as cordas do violão executando lindas canções e, pela madrugada, fria se recolhiam aos camarotes. Ao raiar do dia, o orvalho mansamente se desprendia das folhas molhando o chão e os pássaros em revoada formavam um cenário colorido sobre a pujante floresta e a felicidade dominava os expedicionários que alegres faziam o barco navegar pelas águas negras do caudaloso Rio Negro. Talvez na próxima curva surgisse o afluente que conduziria os navegadores a Naidon.

Suavemente o barco singrava as águas escuras do pujante Rio Negro e assim, se passaram muitos dias numa adorável e inesquecível viagem. A margem do rio podiam-se observar grandes manadas de búfalos, antas, onças pretas, Jaguatiricas e pintadas, jacaré-açu, grandes pássaros e a imensa floresta amazônica de brilho e grandeza. Trovões, chuvas tempestuosas, relâmpagos, um verdadeiro espetáculo da natureza era visto diariamente pelos expedicionários que a cada instante desvendavam mistérios e descobriam segredos das matas e rios da Amazônia. Dia 27 de maio, às dez horas, chegaram ao local indicado no GPS, e após quatro horas localizaram o que seria a mudança de rota para encontrarem o Rio encantado, mas sem a certeza, navegaram para o sul num afluente, do Rio negro que por suas características poderia ser a direção para encontrar o Rio encantado. Navegava em um trecho muito estreito, quando Pedro solicitou ao navegador encontrar um lugar para abarrancar e, depois de difícil manobra, o barco abarrancou. O marinheiro fez as amarrações, e por segurança afastou a embarcação do barranco e soltou a âncora para maior sustentação. — Aqui estamos mais seguros! — Disse o navegador. — É verdade, mas a noite será escura e quente porque estamos em lua minguante, respondeu o comandante. O silêncio chegou leve tal o vento acarinhando a flor, nem as folhas se movia, e os animais se mantiveram em silêncio. Em velocidade a água descia o rio murmurejando quebrava suavemente o silêncio da noite escura. A descoberta do rio, ainda não poderia ser festejada visto que ainda não havia certeza. À noite tudo poderia acontecer inclusive à visita inesperada de macacos gigantes e carnívoros que não permitiam que alguém se aventurasse a chegar àquele ponto da floresta, diziam os nativos. Poderia até não ser verdade, mas providências foram tomadas para a segurança do grupo. Relâmpagos, trovões e ventania romperam o silêncio da noite, e apesar da lua minguante, chovia forte, fenômeno natural na Amazônia. A primeira parada no rio encantado recebeu o nome de B1. Para seguirem viagem contavam com Palmari, que aguardava uma indicação do caminho de Naidon. Dali para frente tudo era mistério e Pedro confiava no enigmático Palmari, que algumas vezes se isolava para sentir a natureza buscando um sinal que indicasse a direção que os levasse ao império. O sobrevoo de uma grande condor sobre a Base era o sinal que Palmari esperava, não havia mais dúvida, estavam realmente navegando no rio encantado. Guiados pelo sinal do belo pássaro e a boa fase da lua, subiram o rio por mais dez dias, viajando do amanhecer ao pôr do sol.

À noite no beiradão abarrancava aonde o homem jamais havia pisado. Finalmente alcançaram as corredeiras e junto a um igarapé e montaram a base BII. Ali permaneceria o capitão Bruno e a embarcação. Pedro e os demais seguiria pela floresta, caminho natural para Naidon. Chovia fino e mansinho e a noite veio chegando. A bordo os passageiros se instalaram preparando-se para continuar a caminhada no dia seguinte. O pipilar dos pássaros, o rugido de animais e o grito dos Guaribas embalava o sono dos exaustos tripulantes esperançosos naquela histórica noite nos confins da Amazônia brasileira. Ao amanhecer do terceiro dia adentraram a mata, sem saber quando chegariam a Naidon, embora aguardassem um sinal de Palmari, não tinham certeza de nada. Para esta viagem conduziram duas barracas de campanha usadas pelo Exército, duas baterias leves com boa capacidade de iluminação, alimentação em bastões, suficiente para alimentar dez pessoas por trinta dias, armas e munições. Naturalmente, não havia intenção de caçar animais, no entanto estavam em plena selva, caminhando por lugares onde o homem não havia pisado e próximo à fronteira com diversos países, só este fato justificava o porte de armas para eventual defesa. Pedro caminhava na vanguarda percorrendo planícies, montanhas e terrenos alagados. Parando por alguns instantes observando animais que passeavam, e entre tantos se destacavam belas antas que chegavam a pesar trezentos quilos, grandes jacarés, cobras Sucuri, répteis que poderiam engolir um homem, búfalos nativos, onças-pintadas, negras e jaguatiricas. Os bichos não temiam as pessoas por não se sentirem ameaçados e o grupo apenas observava com admiração e respeito.

Ao meio-dia, sentaram-se para o almoço e após duas horas de repouso caminharam por três horas até próximo de uma montanha quase encoberta por imensas nuvens carregadas. Cansados, e desanimados, se encontravam próximos a Cordilheira dos Andes sem nenhum sinal que indicasse a direção à Naidon e Athayde falou: −Precisamos voltar, esse império não existe, é mais uma lenda que Pedro quer nos impor, essa conversa de Pedro chegou ao limite, proponho que voltemos e consideremos que tudo isso foi apenas um longo passeio, disse Athayde. − O amigo Athayde está com medo, mas se quiser voltar o caminho está Livre, disse Pedro. − Você me chama de medroso, no entanto já vi você correr com medo de uma mulher, lembra-se da Ana, aquela que correu em sua direção querendo lhe amar e você correu? Magnólia interveio pedindo para acabar com a discursão que não levaria a lugar nenhum. Nesse momento, uma gigantesca ave sobrevoou o grupo. Poderia ser o sinal da presença de criaturas na área e Palmari confirmou que havia recebido indicação de que se encontravam próximos a Naidon. Os ânimos se acalmaram e a tarde chegou com mansidão, mas houve uma brusca queda de temperatura que os fez procurar abrigo montando acampamento onde montaram uma barraca permanecendo juntos, apreensivos, por temerem uma visita inesperada de estranhos ou mesmo uma maior queda de temperatura. — Aguardemos com tranquilidade, esse vem ser o momento mais importante da nossa expedição, disse Pedro.

Reunidos numa só barraca festejaram o acontecimento. Fortuna dedilhava as cordas do seu violão, Athayde ensaiava canções tipo bossa-nova, Magnólia falava das suas experiências científicas na Espanha, atividades essas que escondiam algum nervosismo entre eles. Um turbilhão de pensamentos ocupava a memória de Pedro, lembrando-se dos acontecimentos da inesquecível viagem. A viagem poderia estar chegando ao final, mas muitas surpresas ainda poderiam acontecer só o tempo mostraria. O céu atapetado de estrelas interagia com o ambiente festivo e a boa energia. Um silêncio se fez sentir qual o murmúrio das fontes e, com um suave perfume, surgiu entre os expedicionários uma extraordinária mulher. — Sou Naira e esse palácio é minha morada, aqui vivemos em matéria fluídica há vinte mil anos, aqui cada um construiu sua história recordando tudo que conheceu em outras passagens pela Terra, lembranças que estão gravadas em nossas memórias, na luz dos nossos espíritos, disse Naira.

Pedro reconheceu Naira e pensamentos vaguearam por sua mente congestionada numa alta dimensão de sonho e imaginou: Como poderia ela visitar-me à distância? Seria a enigmática Wanda? Seria a mulher que certa vez me entregou um talismã? Pedro indagava para si, mas a resposta somente Naira poderia revelar. —Vejam, estamos penetrando no templo do imperador. — Disse Naira que caminhava à frente, e uma cortina de luz abriu-se num fascinante cenário de raro encantamento. Ao chegarem ao interior de uma pirâmide, perceberam tratar-se de um imenso palácio e das suas dependências tinham ampla visão do exterior, podendo ver um lago de água azul em uma elevação, parecendo um cálice suspenso sobre colunas de luz dourada, situado num vale onde animais passeavam com filhotes e pássaros gigantes sobrevoando abrindo um cenário sem fim, olhando para o alto enxergava o céu, astros e estrelas, num fascinante quadro de beleza inimaginável. Os visitantes foram apresentados ao povo, que feliz se alegrava com a presença dos expedicionários. Um homem sinalizou e Palmari pediu que Pedro e os demais se aproximassem. Era o rei de Naidon, o qual os chamou pelos seus respectivos nomes, dando-lhes boas-vindas e convidando-os para uma grande recepção que aconteceria à noite, onde receberiam uma lembrança de valor inestimável.

Na sequência conheceram os aposentos onde repousariam e, da janela, admiravam a paisagem onde o vento acarinhava as flores que adornavam às campinas em volta do palácio imperial. Conforme o enunciado, ao anoitecer foi servido o jantar de legumes e água pura, servido em louça especialíssima com talheres de ouro e prata, cravados com brilhantes. Depois se dirigiram a um salão com vista para um arco-íris, em um imenso vale florido onde se destacava um jardim com flores de rara beleza e perfume de sublime aroma celestial. O império estava iluminado por raios solares vindos do espaço e durante a recepção ouviram a palavra do rei Naidon, fazendo ampla explanação sobre o império. Naidon, o derradeiro ascendente do grande imperador que deu origem a essa civilização, com Naira, sua filha, Naidon dividia o poder em um sistema de governo avançadíssimo, onde os dirigentes eram escolhidos por suas virtudes e idades mais avançadas, as riquezas produzidas eram repartidas entre todos, de acordo com a participação de cada um, inclusive quando eram milhares de pessoas em um passado muito distante. De alguma forma os habitantes dedicavam suas vidas à família, à ciência e à tecnologia. Não tinham religião, visto que já se encontravam na mesma frequência da natureza. O deus deles era o Universo e se guiavam pela ética originária da própria consciência e pela moral observada nas Leis da Natureza e nos costumes e tradições milenares. Os súditos do império moravam no próprio palácio em razão de serem poucas pessoas e a maioria haver se transportado para outras moradas na órbita do Sol. Vestiam-se com naturalidade e suas vestimentas e joias eram materializadas por eles mesmos através do pensamento, vestiam-se elegantemente, em especial as mulheres, portando joias de ouro brilhantes, esmeraldas, topázios e muitas outras joias desconhecidas , porém objetos materializados pelo pensamento eram usados apenas como adornos naturais. A alimentação constituía-se de água puríssima, vinda de uma fonte no alto, e de frutas colhidas em pomares. Cada habitante tinha uma aura de luz em volta do corpo, corpo esse formado por matéria de pouquíssima densidade. Os expedicionários visitaram um palácio também edificado em forma de pirâmide, sendo esse à universidade, onde efetuavam experiências científicas, enviando os bons resultados para diversos lugares da terra. Foi mostrado aos expedicionários um moderno hospital onde, através de processos avançadíssimos, tratavam pessoas com patologia física ou mental, coisa raríssima entre eles. Após o jantar foram conduzidos por Naira a um suntuoso salão de cristal onde serviram uma substância liquida cor de mel e o imperador informou que ao beberem aquele líquido teriam uma revelação.

Pedro se deparava com algo fora do comum, mas ao olhar Palmari, percebeu serenidade e fez sinal para que os demais se aproximassem. Em completo silêncio receberam das mãos do imperador e beberam o misterioso liquido desconhecido até então. Não esconderam a rejeição em decorrência do gosto amargo, no entanto permaneceram em silêncio por longo tempo. Disse o imperador que embora seu povo não tivesse ligação com nenhuma civilização, por meio daquela substância liquida conhecia o povo da terra e de outros lugares no infinito Universo; suas virtudes, limitações, potencialidades, crenças, religiões, histórias, ciência, formas de governo, corrupção, decadência e, também, o progresso espiritual e científico. Também informou que quem daquele líquido fizesse uso constante poderia chegar ao sagrado, ao alto conhecimento, descobrindo sua gênese. Salientou ainda que o homem pode evoluir por outros meios porque o povo de Naidon desenvolveu a mente ao longo de milênios sem o uso constante do líquido mencionado, no entanto, com o seu uso é mais fácil desfazer-se das imperfeições.

Escutando com atenção as palavras de Naidon, Pedro entrou em alto nível de concentração mental, deslocando-se da matéria e, no espaço, recordou vidas passadas. Viajando pelo Universo enxergou seu corpo na Terra junto às pessoas, descobrindo que seu corpo é uma  morada e nele penetrou, visitando seu interior; veias, artérias, coração, órgãos, cérebro, ligações nervosas, neurônios e muito mais, entendendo, assim, a grandeza do corpo humano, compreendendo que somente um ser superior construiria tamanha obra gigantesca de engenharia genética. Na órbita do sol visitou lugares onde a matéria tem ínfima densidade e as pessoas se comunicam pelo pensamento.  Nesse lugar conheceu criaturas fluídicas  conhecedoras processo de desmaterialização e materialização, então teve a certeza que nada conhecia e que a Terra ainda é um lugar de imperfeição e então, lembrou-se de um grande filósofo que esteve no Planeta há muito tempo antes do Cristo, ainda na Grécia pagã, o qual teve esse entendimento ao anunciar a existência de um ser superior, o autor dessa construção. Esse pensador previu a vinda do Messias a Terra, o que se deu muitos milênios depois. Ele chamava-se Sócrates, conhecido pela inabalável ética, moral e saber. Ainda hoje são usados seus métodos de ensino no mundo inteiro.

Pedro penetrou nos palácios da memória, onde encontrou tesouros e inúmeras imagens trazidas por percepções de diversas origens, neles estavam armazenados todos os pensamentos que seus sentidos colheram e que não haviam sido absorvidos pelo esquecimento. Nos palácios da memória descobriu as sensações, a luz, as cores e as formas. Tudo isso armazenado em vastos recantos, em secretas e inefáveis sinuosidades, para recordá-lo e trazê-lo à lembrança se necessário, informações, essas, sensíveis ao pensamento que as evoca quando necessário. Um arquivo dos acontecimentos que permearam sua existência ao longo de milhões de anos em vidas sucessivas desde sua criação, ali estavam todas as lembranças das suas passagens pela Terra, trazendo um entendimento da imortalidade do espirito e de suas sucessivas passagens pela terra e outras moradas. Encontrou a si mesmo, recordou dele mesmo, da sua memória, das suas ações, do seu tempo e lugar, do sentimento que o dominava ao praticá-las, teve certeza da existência da causalidade.

Recebeu, um sublime ensinamento, sendo a maior lição recebida em sua existência em espírito materializado, compreendendo que nada sabia, enxergando claramente, suas limitações e probalidades como um ser em plena construção, também percebeu imensas e infinitas potencialidades como imortal espírito. Aquela bebida revelara seu interior como um todo, coisas muito além dos sentidos conhecidos, atributos que possui o espirito fora da matéria densa do corpo. — Esta é a grande revelação anunciada por Naidon, disse Pedro para si mesmo.

Finalmente, num dia dourado e alegre, ao sabor do vento macio da floresta embelezada pelo o Sol, Pedro e sua tripulação chegaram à embarcação, aonde o Capitão Bruno o aguardava e, após cinco dias, navegavam nas águas escuras do lendário Rio Negro com destino a Manaus. A bordo Pedro sentia saudade da expedição e de tudo que havia visto. Pensava o que iria fazer com tantas descobertas e como poderia passá-las para outras pessoas ao longo da sua infinita existência na Terra como espirito encarnado ou em outros lugares e resolveu contar toda a odisseia. — Um dia em algum lugar, voltarei a me encontrar com esse povo que acompanho a milhões de anos guardando as experiências vividas para sempre num recôndito lugar da minha memória, onde moram recordações eternas de Naira;

 
Mergulhado num longínquo passado
Vejo a força dessa lembrança testemunhando
Um sentimento milenar tangido pela recordação
Que alimenta o meu sonhado viver distante
Vestindo o manto da saudade do teu ser
Iluminado pela luz das Estrelas e Astros
Aqui também há dias de Sol dourado
Clareando os meus dias de distância
Mas de ternura alimentando a vida
Surgindo quais ósculos do Sol
Tal qual a música conduzida pela aragem
Da manhã sussurrando a melodia das fontes
Tudo em ti Naira é oculto é mistério, é saudade,
É Vida.
Antonio de Albuquerque
Enviado por Antonio de Albuquerque em 12/04/2018
Alterado em 20/05/2018
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Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr