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MUITO ALÉM

Nos confins da amazônia brasileira muito além do Pico da Neblina,  encontrei os remanescentes dos piratapuyos, originários dos fenícios. Essa nação  conserva e fala seu antigo idioma“Tariano”, guardando na memória suas histórias e tradições. Esses descendentes formavam uma grande comunidade no império Inca, que ameaçados pelos  espanhóis  chegaram à Amazônia formando  a tribo dos Piratapuyos. 

Nessa comunidade fui recebido por uma belíssima mulher, denominada Wainambi, mística e encantadora jovem representando sua comunidade, com Wainambi, tive agradável convivência e dela recebi importantes informações sobre cultura, costumes e tradições de seu povo. Ali tudo é mistério e segredo e eu colhi o que pude entender. Embora, essa valente tribo tenha sido esquecida pelos brancos sobreviveu a séculos mantendo sua cultura e tradições.

A misteriosa cidade desse povo é de formato piramidal, inclusive todos os prédios têm a mesma arquitetura, sendo que o edifício maior é o centro cultural onde eles se reúnem para falar da sua história para os jovens, sendo esta a forma de transmitir, de boca a ouvido. Essa cidade Piratapuyo está localizada entre o misterioso rio Belo, um  lago de água azul e uma montanha, considerados sagrados, lugar onde, o Sol se despede beijando a montanha, reverenciado pelo povo que o aguarda para saudá-lo ao amanhecer.

Dois momentos nesse lugar têm uma beleza inimaginável tocando profundamente o coração; o amanhecer e o pôr do Sol. Nesses momentos sublimes todos se quedam contemplando a manifestação da natureza com um profundo sentimento de gratidão pela vida e por tudo que recebem de ruim e bom na Terra. Esse povo se orienta pelo Sol, Lua, Astros e Estrelas, observando todo o movimento da Terra, da Lua com suas fases, e as quatro estações, tendo assim, uma longa e saudável vida. Se alimentam de mel, frutas silvestres, peixe, e água colhida numa fonte pura. Nos momentos de concentração mental parecem se transportar ao espaço em pleno processo de levitação, comunicando-se à distância, tornam-se conectadas à natureza.

Numa manhã de brilho e grandeza, junto ao rio Belo de água cristalina, adornado por várzeas de encanto e beleza, enfeitadas por milhares de árvores floridas, entre tantas, raríssimas rosas e flores ainda desconhecidas por quem ainda não conhece esse vergel de grande boniteza que os nativos veneram como sagrado, brevemente haveria suntuosa comemoração onde o Sol a Lua e as águas seriam reverenciados em especial, o Sol, sendo esse, venerado tal qual um farol orientando a todos. Era noite, a Lua cheia clareando, comprimindo sua luz sobre a montanha com matizes parecendo estar bem mais próximo. A luz da Lua prateando a água do belo lago azul e clareando as matas virgens formando extraordinária tela da natureza, espargindo pingos d’água em forma de luz sobre as praias de areia alva qual a flor do algodão.

As estrelas brilhavam parecendo ser bem ali, suas luzes prateavam as águas do rio belo, as nuvens brancas dançavam sobre a cidade piramidal formando cogumelos de imagens sentidas, configurando um cenário de luz e cores tal um arco-íris se debruçando sobre nós. Em breve teria início a festa do Sol e das águas. Centenas de pessoas concentradas em silêncio não viam o tempo passar, e eu me senti partícipe de todo o cenário de beleza e o tempo adormeceu.

No horizonte surgiram brilhantes raios coloridos anunciando uma manhã risonha, e na floresta a linda passarada em cânticos, quais as melodias das fontes, pressagiou uma manhã venturosa, o vento sussurrava quais segredos revelados, a brisa desfolhava a floresta e o Sol nasceu num amanhecer quais flores derramadas num campo em plena primavera. Sobre a relva umedecida pelo orvalho da manhã, as pessoas ficaram de pé para receber o seu Senhor, eis o visitante.

Sobre o lago azul, o rio, a floresta, a cidade e a montanha, a Luz do Sol derramava uma brisa suave de alegria e felicidade. Estávamos extasiados, eu me sentindo parte daquela manifestação da natureza, tinha os olhos rasos d’água contemplando os misteriosos, segredos e encantos da floresta. Suavemente as águas do rio deslizavam, formando pequenos rebojos, deixando saudade tal qual alguém amado que viaja para bem distante, os botos brincando, pulavam de alegria sobre a água correndo sem parar, peixinhos coloridos os acompanhavam inteirando a beleza incomparável. Eu vivenciava a festa do Sol e das águas festejada com esse mesmo encanto há milhares de anos, da mesma forma pelo mesmo povo da floresta.

Eu, em companhia de Wainambi havia banhado meu corpo nas águas puras do rio belo, pelos mistérios, também havia lavado a alma. Despedi-me de Wainambi e de seu povo, prometendo voltar em breve, tinha o coração carregado de amor, gratidão e saudade, na certeza que foi uma prodigiosa experiência  de aprendizado. No alto, a montanha parecia perscrutar!!!



 
Antonio de Albuquerque
Enviado por Antonio de Albuquerque em 16/08/2018
Alterado em 24/08/2018
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