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Antonio de Albuquerque

 Mar Misterioso

Vitor e amigos acertaram viajar ao mar do Caribe a bordo do Veleiro, carinhosamente denominado, Caranguejo, veleiro de sua propriedade. A viagem ao Caribe iniciaria em primeiro de fevereiro no Rio de Janeiro e planejavam visitar; Cuba, Colômbia e Venezuela, retornando ao Brasil pela foz do Amazonas até a cidade de Manaus. Detalhes seriam observados durante a travessia estendida por sessenta dias. Assim haviam planejado, embora tudo pudesse mudar, regressando diretamente para o porto de origem.

Com boa experiência em viagens marítimas, Vítor viajara naquela rota diversas vezes e, embora estivesse afastado há alguns anos, quando aportou no estaleiro, não se distanciou da navegação. Gonzalez era seu imediato e também fascinado pelo mar, sentia-se mais seguro embarcado que no continente, conhecia as rotas marítimas há trinta anos, com experiência na costa brasileira, Caribe e América do Norte, onde enfrentou baixas temperaturas e ciclones no pacífico na costa dos Estados Unidos da América e Canadá. Laura, Marina, Massumi e Garcia, eram seus amigos, fazendo parte da tripulação, Vitor comandava o Veleiro e Gonzalez seu competente imediato.

 Numa radiante manhã ensolarada, envolvida em mistérios, zarparam da cidade maravilhosa, onde a felicidade e a alegria dominava a todos. A visão da Baia da Guanabara vista de bordo do veleiro, formava um cartão postal de radiante beleza. Velejaram até chegarem ao Mar do Caribe onde festejaram com uma festa a bordo, por estarem no Mar caribenho. Velozmente o veleiro Caranguejo velejava nas águas azuis do mar do Caribe, quando subitamente a viagem foi interrompida, surgindo no horizonte duas embarcações que se destacavam por serem modelo secular. ─ Vejam! É um grande veleiro com três mastros e um barco menor de apenas dois mastros, disse Marina. ─ Realmente, é um veleiro e uma corveta, mudaram o curso e estão em nossa direção, adiantou o capitão. ─ Já reconheci, são de pequeno porte e vêm em alta velocidade; o veleiro está à frente um quarto de milha, respondeu González. O barco maior aproximava-se numa velocidade incrível e de binóculo Vitor enxergava a tripulação e os canhões a bombordo. O outro era uma corveta parecendo interceptar o veleiro que navegava em direção ao Caranguejo. De repente, sumiram sem dar sinal de suas presenças na área. ─ Estranho, disse Gonzalez, chamando a atenção de Vitor. Repentinamente enxergaram a tripulação do veleiro de tres mastros e também da corveta. A corveta procurava interceptar o veleiro de três mastros. Enquanto no veleiro apareciam dez tripulantes, na corveta surgiam três pessoas, sendo vistas no convés. ─ Estranho! O comandante maluco, pensa enfrentar o barco de três mastros? Será destruído em poucos minutos, disse Vitor. ─ Parecem barcos de instrução, disse Gonzalez. ─ Estamos diante de um fenômeno difícil de explicar. Essas embarcações pertencem ao século XVI, podemos identificar. ─ É verdade, tudo leva a crer que vamos ter muito barulho, afirmou Vitor.

O veleiro manobrou e disparou os canhões contra a pequena corveta que fugiu saindo da linha de tiro, procurando cada vez mais aproximar-se do veleiro. O capitão Gonzalez pensou mudar o curso, mas lembrou-se que não deixaria a embarcação a mercê do barco armado com canhões e resolveu de comum acordo com Vitor permanecer próximo a batalha, para se necessário, intervir em solidariedade a corveta. Os tiros não atingiram a corveta que manobrava sempre fugindo dos tiros de canhão. Um detalhe chamou a atenção; a corveta só transportava três tripulantes e olhando mais de perto se confirmou, percebendo tratar-se de um homem de cabelos brancos, uma mulher idosa e um rapaz que deveria ter vinte anos. Vestia calça branca, sem camisa, pés descalços, corpo atlético, rosto fino e cabelos loiros esvoaçando ao vento. No semblante trazia um sorriso e coragem, na cintura uma espada reluzente, parecendo um pirata dos contos infantis.

─ Meu Deus! Ele está abordando o veleiro! Não tem juízo, será trucidado; será que pretende enfrentar toda àquela tripulação? Disse González. Louco ou não o jovem lutava bravamente. — Vamos auxiliá-lo, ele vinha nos socorrer, seriamos atacados. — Vamos nos aproximar a bombordo, eu e Massumi iremos para bordo e você fica no comando. Garcia e as mulheres se recolham aos camarotes. Não podemos deixar esse valente jovem morrer, disse Vitor. Mais próximo, Vitor viu o rapaz enfrentando dois últimos marinheiros. Com uma espada o jovem arrostava os adversários com grande facilidade, fazendo sinal para Vitor não entrar na luta. O convés do veleiro pirata estava repleto de homens caídos. Vitor recuou e acenou para o rapaz que a essa altura incendiava o veleiro de três mastros que foram convertidos em labaredas. O rapaz saltou para dentro da corveta e abraçado ao casal de idosos assistia o afundamento do veleiro e sorrindo dizia em voz alta: ─ Vencemos.

O jovem havia vencido e os tripulantes estavam perplexos, diante da luta travada pelo intrépido marujo contra o barco de piratas. O Caranguejo estava a trinta metros da corveta e Vitor pôde ver bem de perto o marinheiro com cara de menino e feições nobres que para ele sorria. ─ Como é seu nome, perguntou Vitor. ─ Stuart, respondeu o jovem. ─ Por que nos salvou? ─ Você merece, é uma longa história, um dia nos veremos, disse o rapaz. Sou corsário, lhe devo a vida, já estivemos juntos em outras batalhas, inclusive noutros mares bem distantes, concluiu Stuart. Vitor permaneceu meditando, com a cabeça baixa como se seus olhos procurassem uma figura de sonho no mosaico azul do mar. As palavras de Stuart imprimiram-lhe angústia, desalento, como se estivesse penetrando no cenário do passado bem longínquo, numa dimensão além. A corveta seguiu noutra direção e o vento brando soprava suas velas deixando uma saudade sem explicação. O Caranguejo deslizava sobre o mar. O silêncio dizia tudo, pois é nele que se pensa, chora, sorrir e se ama, sentindo saudade. Bem distante Stuart acenava da corveta de bandeira azul, vermelha e branca. O que estaria acontecendo nesse mar de surpresas sem fim! Só o tempo poderia responder. Os tripulantes estavam atônitos, sem compreender.

Todos se entreolhavam e Vitor adiantou-se dizendo: ─ O acontecido é mistério do mar sem fim, permaneçam tranquilos. ─ Quem seria esse rapaz? Perguntou Marina. ─ Realmente não sei, mas descobrirei. — Um dia desvendarei esse mistério, ainda nessa viagem, garantiu Vitor. Laura chorava sem saber a razão. ─ Como tudo isso pôde acontecer! triste exclamava Laura. ─ Ainda não tenho explicação, não se aflija tudo passa. No futuro teremos muitas histórias para contar. O sol rolando pelo céu qual um círculo de fogo declinava, e a tarde descia calma qual a brisa da manhã. Marina e Garcia com um terço na mão rezavam e, juntos diziam: ─ isto é coisa muito esquisita. Tranquilamente testemunharam grande mistério ─ Festejaremos a grande vitória do nobre Stuart com um jantar, anunciou o comandante. ─ Boa ideia! Tenho na Adega um bom vinho. Quem sabe! Breve possamos desvendar esse mistério.
Antonio de Albuquerque
Enviado por Antonio de Albuquerque em 31/07/2019
Alterado em 31/07/2019
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