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Missão nas Guianas
( Capítulo III
)

Na porta principal avistaram duas sentinelas, Pedro se protegeu atrás de uma árvore e Antônia se aproximou exibindo o exuberante corpo fazendo o homem fraquejar. Assim, chamou a atenção do guarda, que ao vê-la, percebeu não portar arma. Foram para um canto e homem foi visitar o capeta. Não foi difícil Pedro acertar a cabeça do outro segurança. O casal deixou um rastro de sangue. Eles agiam rápido, visto que Luíza estava sob risco de morte, sendo Daniel uma criatura espantosamente perversa, segundo informações da Interpol.

Os agentes estavam dentro do prédio, mas como encontrar Luiza? Subiram por uma escada de dois lances e logo estavam diante da porta marcada no mapa de Robert, como sendo o maldito escritório de Daniel. Maliciosamente Antônia se exibiu para os guardas chamando atenção para si, enquanto Pedro com pistola mirava a cabeça de um e ela quebrava o pescoço do outro com a agilidade de um felino. Tratava-se de uma luta extremamente violenta, mas as circunstâncias assim, exigiam, visto que lutavam contra matadores profissionais. Pedro bateu na porta e como não atenderam, virou a maçaneta escutando um rangido. Nesse momento tudo poderia acontecer, mas mesmo assim, Pedro forçou a porta e entrou.

No fundo da sala, Daniel estava sentado atrás de uma luxuosa mesa e Luiza, amarrada a uma cadeira, sangrava muito em decorrência das torturas sofridas. Surpreendido, Daniel nunca imaginou que alguém chegasse ao seu escondedouro. Esboçou um movimento, mas tendo uma arma apontada para sua desvairada cabeça, não reagiu e encarou Pedro, porém sem a arrogância dantes, momento em que Antônia liberou Luiza das amarras da cadeira. — Daniel, você pagará por todos os seus crimes, que não são poucos! — Disse Pedro. Friamente Daniel olhou para Pedro dizendo: — Você jamais sairá vivo desta fortaleza. — Veremos, respondeu. Antônia quis cortar Daniel, Pedro sinalizou e ela recuou algemando o bandido com as mãos para trás. Daniel sabia que havia perdido a batalha e propôs um acordo: pagaria a quantia que Pedro quisesse para deixá-lo livre, pagaria em dólares americanos ou libras esterlinas. Ele nunca cumpriria o acordo, apenas queria ganhar tempo, sabia que tinha um exército de homens lhe servindo. — Primeiro temos de sair daqui, depois conversaremos, mas acho a proposta razoável. Bem que estamos precisando de dinheiro. — Pagarei na moeda que você quiser ou em brilhantes e esmeraldas, você manda! Disse Daniel. — Você é muito generoso. — Disse Pedro. — Pode acreditar, respondeu o meliante.

Mesmo algemado Daniel sentia-se seguro, pois tinha trinta homens bem armados nas dependências da fortaleza e conhecia o terreno. A derrota era momentânea, enganava-se por não conhecer o poder de fogo daquele trio. Pedro sabia que seria muito difícil sair daquela encrenca, mas tinha estado em outras piores, seu passaporte era Daniel, teria que segurá-lo bem, de forma que o bandido fosse seu escudo, e assim determinou: — Você é nosso passaporte, visto que precisamos sair dessa fortaleza. Abra o cofre, quero tudo que tiver dentro. Se você colocar dificuldade nós vamos abrir o cofre e sair do mesmo jeito, porém antes te mandarei para o inferno! — Disse Pedro.

Antônia cuidou para que o cofre fosse aberto com a persuasão de sua navalha, e logo tinha em mãos uma mala recheada de valores e boa quantidade de granadas e explosivos, mas tinha um grande problema: Como sair daquele lugar? Daniel sorria descaradamente dizendo: — Vocês nunca sairão daqui, não irão a lugar nenhum. Pedro deu-lhe um soco na cara, advertindo-o: — Fique calado fazendo o que eu mando. Seus homens estão quase todos mortos, como acha que entramos aqui? Mas alimente sonhos enquanto puder. Daniel não disfarçou o seu desespero. O fato de Pedro ter invadido sua fortaleza foi um sinal ruim, mas sendo Daniel um bom jogador de pôquer procurava disfarçar da melhor maneira possível. Pedro também não era bobo e sabia que poderia levar a pior, porém não tinha outra saída para fugir daquele inferno.

A porta abriu, um capanga bem assustado vinha dar a má notícia ao patrão, porém foi dominado ao entrar. Libertado levou um recado à quadrilha informando que Daniel sairia do prédio com uma navalha na garganta e ao menor sinal de reação seria morto e os demais metralhados. Para saírem Pedro exigiu um carro que os levasse ao aeroporto do bando e Antônia colou seu corpo ao de Daniel com a navalha em seu pescoço. Pedro e Luíza, de costas e armados com metralhadoras, protegiam a retirada. Pedro deu uma rajada aos pés dos bandidos para intimidá-los e jogou uma granada na casa de força e outra no prédio de telefonia e a mansão ficou incomunicável. No depósito de armas prenderam todos os bandidos, colocando explosivos suficientes para levar a mansão pelos ares. Tudo ali explodiria se abrissem a porta. Nisso Luiza era especialista.

Guiados por Daniel, seguiram para o aeroporto e, ao chegarem ao aeroporto, Daniel ordenou o abastecimento de um helicóptero, pondo à disposição do grupo, dizendo que não se aproximassem ou tentassem reagir e largassem as armas. Antes do embarque, distante ouviram uma explosão, a mansão de Daniel havia ido pelos ares e com ela alguns criminosos, armas e drogas. — Coitados! Bem que avisei para não forçarem a porta! Comentou Luíza com ingênuo semblante de colegial. Daniel estava arrasado, pois nunca imaginou sofrer tamanha derrota efetuada por três pessoas. Pálido, de cabeça baixa, obedecia às ordens de Pedro que, dando uma volta em torno da área, colocou a porta da aeronave em posição que proporcionou à Luíza metralhar os aviões estacionados na pista. Na outra volta destruiu os prédios e seguiram sobrevoando a floresta sem plano de voo. Em um só dia Daniel sentiu sua estrutura criminosa desmoronar. Pedro havia prestado grande serviço à sociedade, mas a luta não havia terminado. Nunca um policial havia conseguido prender Daniel, nem ao menos entrar em seu território. Pedro sobrevoava uma selva densa e desconhecida mal sabendo pilotar o helicóptero, sendo este bem moderno, não tendo sobre ele, completo domínio. Voava para o sul, aproximando-se cada vez mais da fronteira com o Brasil, e só sabia que estava numa selva fechada, perto de um rio.

Do alto fez um reconhecimento do terreno, e avistou uma grande clareira, pousando suavemente. O barulho e o vento produzido pelo helicóptero quebraram o silêncio e os pássaros, que se aninhavam, voaram. Após desligar a turbina e com o retorno da calma os pássaros voltaram aos ninhos e a noite chegou com o negrume de lua minguante. Pedro se encontrava num ambiente de seu completo domínio. A selva! No entanto aquela era para ele desconhecida, embora tivesse as mesmas características da selva amazônica palco de lutas travadas no cumprimento do ofício de cumprir a Lei. O preso foi colocado em segurança fora da aeronave e Pedro lembrou-se que há dias não se alimentava, e no helicóptero encontrou um depósito com alimentação suficiente para três dias, para cinco pessoas. Daniel, alegando problemas cardíacos, pediu para tirar as algemas, o que lhe foi negado, e dormiu algemado, preso a árvore. Aquele incômodo era pouco para um criminoso de alta periculosidade.

A noite foi tranquila e as moças dormiram dentro do helicóptero. Pedro e Daniel sob forte chuva e cobertos com plásticos acordaram ao raiar do dia. Pedro examinou o combustível e o óleo e viu que dava para voar mais algumas horas graças a uma boa reserva de gasolina. A aeronave tinha bem mais autonomia de voo e estava sempre pronta para emergências. Chegara o momento de uma avaliação, muitas coisas haviam acontecido e Pedro se reuniu com as moças para traçar um plano de ação. Durante a manhã havia muita cerração, não dava para voar e só sairiam com o tempo aberto. Enquanto isso Pedro improvisou um anzol e, num belíssimo lago de água translúcida pescou dois tucunarés de três quilos cada, o suficiente para um bom almoço.

Carinhosamente Pedro ofertou à Antonia uma flor de Acácia, convidando-a para mergulhar num esplendoroso lago de água verde e praias de areia alva, qual a flor dama da noite, enfeitado nas ribanceiras por Cajaranas, Sororocas, Ipês amarelos, azuis e lilás. Formando um cenário encantador de beleza e ternura. Antonia aceitou o convite e desnudos, mergulharam no lago, expondo seus corpos à beleza natural da rica e bela natureza. Carinhosamente se afagaram em carícias e Pedro beijou a boca vermelha de Antonia, acariciando seus seios firmes e macios, de um jeito delicado que só os amantes sabem fazer e efusivamente se amaram tal fazem os passarinhos, tendo o Sol como testemunha, dourando o lago de encanto e harmonia.

De volta a casa, Pedro manteve-se junto à aeronave pensando o que fazer com Daniel. Certamente ainda havia comparsas que poderiam estar à sua procura. Pedro necessitava chegar à fronteira do Brasil para sentir-se mais seguro, antes, porém, teria que abandonar a aeronave, visto que sem combustível não conseguiria chegar ao Brasil. Havia passado a cerração e Pedro colocou a aeronave no ar seguindo o curso do rio, queria chegar mais distante do mar e mais próximo da fronteira, a ideia era voar, acabar o combustível e seguir pela floresta até encontrar a rodovia que ligasse ao Brasil. O guia seria o conhecimento que possuía das florestas, que não eram muito diferentes das matas da Amazônia brasileira. O relógio marcava quatorze horas, só tinha combustível para meia hora de voo, Pedro avistou uma casa à beira do rio e pousou a aeronave com suavidade, pensando; aqui termina a primeira etapa dessa retirada.
Leia o emocianante próximo  capítulo IV.
Antonio de Albuquerque
Enviado por Antonio de Albuquerque em 06/04/2020
Alterado em 10/04/2020
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