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Minha vida era alegria, um nascer do dia, análogo a manhã chegando em gargalhada de luz, meu pensar tinha a doçura do sol nascente. No meu barraco na Favela do Xérem, havia um terreiro que nas noites claras, eu e Nanci, alegres cantávamos modinhas da época de 1960, e assim eu mergulhava na alegria de Nanci, admirando sua ternura e seus olhos que brilhavam tal raios de estrelas cadentes. Embora passássemos dificuldades éramos felizes e tudo parecia apenas um sonho transitório.
O barraco era de um só cômodo e dormíamos aninhados num cantinho, onde só dividíamos amor, visto que nada mais tínhamos, o telhado era de amianto e não lhe faltava buracos por onde penetrava o orvalho para molhar nossas cobertas feitas de lona, mas também pelos mesmos orifícios penetrava o clarão das estrelas e o nascer do dia. Eu sentia toda a alegria de amar, viver, ser feliz e a esperança de crescer e poder ser tudo que eu imaginava. Por algum tempo enfrentamos as questões que a vida nos impôs, vencemos algumas batalhas e fomos vitoriosos.
Nanci e eu seguimos caminhos diferentes, até que em 1986, bem melhores de vida, nos encontramos em New York, numa estação ferroviária, um lugar, distante do que eu vivia, onde nunca imaginei encontrá-la. Emocionados nos abraçamos, choramos, sorrimos e felizes, fizemos uma oração em gratidão ao Criador pela nossa grandiosa vitória nessa maravilhosa encarnação. Nanci me ensinou a amar e ser feliz.