Antonio de Albuquerque
Sorrindo de alegria, num espaço sublime entre contos, encantos e poesias.
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Amigos para sempre.

 

Estava no extremo norte, navegando na minha embarcação por vinte e cinco dias, descendo o Rio Negro até Manaus, viajando sozinho dia e noite, com uma sobrecarga de combustível, alimentação básica e acessórios pessoais. Na hospedaria onde eu estava, surgiu uma jovem norte americana de rara beleza, seu nome era Julie Kove, moça bonita de boa conversa e grande conhecimento. Julie visitava a região amazônica, embora morasse em Los Angeles USA. Julie era descendente da etnia dos Ianomâmis, nativos do extremo norte do Amazonas, região Andina.

Nesse agradável encontro resolvemos viajar juntos, dividindo tarefas e despesas, onde compartilharíamos tudo, menos a cama no mesmo camarote, visto que o barco era pequeno, com uma só confortável cama, que às vezes nos fazia dormir sobre a areia alva das belas praias do Rio Negro, observando no céu a luz e o bailar das estrelas. Assim ficou estabelecido nessa inolvidável viagem de amor ternura e encanto. Pelo banzeiro do rio aprendemos a amar, admirando o nascer, o pôr do sol e nas noites o céu atapetado de astros e estrelas.

Vezes eu sentia-me menino nos seus braços de Julie e em outros momentos, seu viril amante. A parceria foi o incentivo para nos tornarmos bons confidentes, trazendo profundo sentimento de puro amor, nos fazendo conversar em especial das nossas vidas e, de tanto falar de coisas pessoais, nos tornamos confidentes e amorosos. Julie sabia que na volta para casa encontraria os mesmos problemas; Marido trabalhando na Europa, crianças precisando de sua presença e um filho na guerra. Assim, eu também sentia seus problemas e não tínhamos pressa para chegar e descíamos o caudaloso rio vagando na correnteza longe da ventania que trazia a saudade de casa.

Com o passar dos dias, nos tornamos íntimos confidentes. E, assim chegamos às Ilhas de Anavilhanas, onde Julie embarcaria num Hidroavião para se juntar aos seus em terras americanas e eu no barquinho chegaria à cidade Manaus. Abarrancamos o barquinho, baixamos a cabeça como se estivéssemos em prece, ao levantarmos a cabeça, tínhamos os olhos orvalhados, doía muito seguirmos caminhos diferentes e assim, dizíamos que não haveria despedida, apenas um até breve. Estávamos

ligados pelo amor se manifestando de sublime forma. Então! Não houve despedida, Julie simplesmente embarcou e o avião, da água subiu tal um pássaro voando no céu de sonhos amazônicos.

Após quatro anos estávamos em San Diego na California. Dia de Ação de Graças, estava eu, Malaque, minha esposa já falecida, Julie Kove, Dan Holbergue seu marido e em meus braços a menina Maggie, minha afilhada neta de Kove, todos sorriam gargalhadas de alegria. Tínhamos o coração vibrando de felicidade e eu acreditando que é importante construir e conservar boas amizades em quaisquer circunstâncias infinitamente.

 

 

Antonio de Albuquerque
Enviado por Antonio de Albuquerque em 25/06/2026
Alterado em 26/06/2026
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